O período pós-Black Friday e pós-Natal é considerado um dos momentos mais críticos para a logística reversa no comércio eletrônico. Em mercados maduros, o volume de devoluções pode atingir patamares comparáveis a um novo pico operacional.
Nos Estados Unidos, estimativas divulgadas pela imprensa especializada indicam que cerca de 17% dos produtos vendidos durante a temporada de festas retornam ao varejo por meio de devoluções. Já análises internacionais apontam que, no e-commerce, as devoluções podem representar entre 20% e 30% das vendas no fim de ano, com percentuais ainda maiores em segmentos como moda e calçados.
No Brasil, embora não existam levantamentos públicos consolidados com a mesma padronização anual observada em mercados como EUA e Europa, operadores logísticos e empresas de e-commerce indicam aumento relevante no fluxo de devoluções no início do ano, reforçando a necessidade de políticas claras de troca e de maior capacidade operacional para logística reversa.
Após o pico de vendas do fim de ano, pequenas e médias empresas (PMEs) entram em uma fase crítica para preservar margens e consolidar o crescimento conquistado. A avaliação é da DHL Express, que alerta para a necessidade de reorganização operacional no pós-Peak Season, com foco em auditoria de estoque, gestão eficiente de devoluções e estratégias de retenção de clientes.
Segundo a companhia, o período subsequente ao pico de demanda exige atenção estratégica para evitar perdas financeiras e melhorar a experiência do consumidor, especialmente em operações de e-commerce, onde o volume de trocas e retornos tende a crescer de forma expressiva nas semanas seguintes às datas promocionais.
“A Peak Season exige agilidade, e o acompanhamento posterior é o que consolida o crescimento”, afirma Cinthia Katachinsky, gerente de marketing da DHL Express.
Auditoria de estoque e liquidações
A empresa recomenda que o início do ano seja utilizado para uma auditoria detalhada do inventário, com foco em produtos sazonais e sobras do período de festas. O objetivo é mapear volumes disponíveis, corrigir divergências e gerar dados para orientar o planejamento de reposição e a gestão financeira da operação.
De acordo com a DHL Express, o pós-Peak Season também é uma janela relevante para estratégias de liquidação e campanhas promocionais no e-commerce, com pacotes e ofertas voltados à redução de excedentes e liberação de espaço físico, evitando custos adicionais de armazenagem.
Fidelização (ou não) do consumidor
A DHL alerta que a devolução, se mal administrada, pode se tornar um fator de ruptura na relação com o cliente. A recomendação é que PMEs adotem políticas claras, acessíveis e simples, reduzindo atritos e transformando o retorno em oportunidade de troca ou de conversão em nova compra.
A empresa avalia que a experiência de devolução influencia diretamente a percepção de marca e pode determinar se o consumidor voltará a comprar.
Outro ponto destacado pela DHL Express é que o pós-Peak Season é o momento adequado para fortalecer estratégias de fidelização. Segundo a companhia, clientes conquistados durante grandes campanhas promocionais podem se tornar recorrentes se houver ações estruturadas de relacionamento.



