O mercado brasileiro de caminhões iniciou 2026 com um sinal claro de cautela. Em janeiro, a liderança geral ficou novamente nas mãos de um modelo médio. O Volkswagen Delivery 11.180 foi o caminhão mais emplacado do país pelo quinto mês consecutivo, com 357 unidades, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O desempenho consolida o modelo médio no topo do ranking e, ao mesmo tempo, evidencia que o segmento de caminhões pesados, tradicional motor do transporte rodoviário de longa distância, ainda não retomou plenamente seu ritmo histórico.
O dado chama atenção porque, mesmo com os caminhões pesados e semipesados respondendo por mais de 77% dos emplacamentos de janeiro, nenhum modelo dessas categorias conseguiu superar o volume do Delivery 11.180. O movimento revela um mercado ainda conservador, em que transportadores priorizam operações de menor risco, ciclos mais curtos e investimentos mais seletivos, em meio a juros elevados e maior rigor na alocação de capital.
Os 10 caminhões mais vendidos em janeiro de 2026
- VW Delivery 11.180 – 357 unidades
- Volvo FH 540 – 262 unidades
- Volvo VM 290 – 252 unidades
- Mercedes-Benz Atego 2429 – 242 unidades
- DAF XF 530 – 240 unidades
- Mercedes-Benz Accelo 1117 – 207 unidades
- Mercedes-Benz Atego 1719 – 203 unidades
- VW Constellation 26.260 – 203 unidades
- Volvo FH 460 – 169 unidades
- DAF XF 480 – 167 unidades
O conjunto de dados reforça uma mudança estrutural no perfil da demanda. Um caminhão médio liderar o mercado geral não é apenas um resultado comercial pontual, mas um retrato fiel do momento econômico do transporte rodoviário brasileiro.
No segmento de caminhões pesados, responsável por 42,45% dos emplacamentos do mês, o destaque foi o Volvo FH 540. O desempenho do segmento indica estabilidade em um patamar inferior aos ciclos de maior aquecimento, quando os pesados dominavam com maior folga o topo do ranking geral. A preferência por caminhões de alta potência permanece, mas a decisão de compra segue mais espaçada, refletindo custos elevados de aquisição, financiamento mais caro e maior seletividade nos investimentos.
Os caminhões semipesados responderam por 34,89% das vendas em janeiro e seguem como um dos pilares do mercado. O Volvo VM 290 liderou a categoria, disputando espaço de forma acirrada com os modelos Atego, da Mercedes-Benz, e Constellation, da Volkswagen. A versatilidade operacional sustenta o segmento, que atende tanto rotas regionais quanto aplicações rodoviárias de média distância, em um cenário em que frotistas buscam equilíbrio entre produtividade, custo operacional e flexibilidade.
É no segmento de caminhões médios que a concentração fica mais evidente. O Delivery 11.180 respondeu sozinho por cerca de 40% das vendas da categoria em janeiro, com ampla vantagem sobre o segundo colocado. O desempenho aponta para um movimento de padronização de frota, com empresas apostando em modelos consolidados, de manutenção previsível e aplicações múltiplas. Mesmo em um contexto de retração mais intensa dos médios em relação a outros segmentos, o Delivery se impõe como escolha dominante.
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Um projeto que deu certo
A liderança do modelo não é pontual. Em 2025, o Delivery 11.180 encerrou o ano como o caminhão mais vendido do Brasil, com 6.543 unidades emplacadas e mais de 50% de participação no segmento, rompendo um ciclo recente de liderança do Volvo FH 540 no ranking geral anual.
Mais do que um termômetro conjuntural do mercado, a performance recorrente do Delivery 11.180 — e da família Delivery, que inclui o e-Delivery — evidencia o acerto de um projeto industrial concebido no Brasil, com foco em nichos específicos pouco atendidos pelo mercado. Segundo Bruno Schonrorst, gerente de vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus, o sucesso do modelo está ligado à sua versatilidade e à capacidade de atender aplicações diversas, com destaque para a versão 4×4, que ampliou o alcance do produto sem responder sozinha pelo volume total de vendas.
“O projeto começou em 2017 e foi totalmente desenvolvido no Brasil, no nosso centro de engenharia em Resende, no Rio de Janeiro. Identificamos uma demanda clara por um caminhão com tração 4×4, capaz de operar em terrenos difíceis, e desenvolvemos essa versão com base na plataforma Delivery. Ela ampliou significativamente o leque de aplicações do modelo, especialmente em operações fora de estrada”, afirma o executivo. “O 11.180 não apenas preencheu a lacuna deixada pelo Ford F-4000 4×4, como também ampliou as possibilidades de aplicação”, disse ao portal Transporte Moderno em 2025.
A versão Delivery 11.180 4×4 se consolidou como sucessora natural do Ford F-4000 4×4, modelo descontinuado que ainda era referência em operações fora de estrada. Ao capturar essa demanda reprimida, a Volkswagen ampliou o alcance do produto e fortaleceu sua presença em nichos de maior valor agregado. Disponível nas configurações 4×2 e 4×4, o modelo atende desde pequenos empreendedores e produtores rurais até grandes concessionárias de energia, que operam em regiões com topografia desafiadora e infraestrutura limitada.
Os segmentos de caminhões leves e semileves continuam pressionados. Em janeiro, os leves responderam por 7,18% do mercado, enquanto os semileves ficaram com 2,54%, mantendo perfil fortemente urbano e aplicações bastante específicas.
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