A volatilidade internacional da ureia, combinada ao câmbio e, sobretudo, ao custo do frete marítimo, vem alterando de forma estrutural a dinâmica do mercado brasileiro de Arla 32. O insumo, essencial para o funcionamento de motores equipados com tecnologia SCR, passou a exigir das empresas uma abordagem mais integrada entre suprimentos, logística e gestão financeira, reduzindo os horizontes tradicionais de planejamento.
Segundo Everton Minatti, gerente de Operações da Usiquímica, o frete internacional ganhou protagonismo na formação de custos. “Hoje, além do câmbio, o frete exerce influência direta e, em muitos momentos, superior à do dólar, especialmente quando as origens envolvem longas rotas, como a Ásia. Isso reduziu a previsibilidade do mercado e encurtou significativamente os horizontes de planejamento”, afirma.
Nesse contexto, o setor tem migrado para modelos mais dinâmicos de gestão, com revisões frequentes de custos e foco na mitigação de riscos. “A volatilidade deixou de ser conjuntural e passou a ser estrutural”, resume Minatti.
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Importação ganha peso estratégico
A nova realidade do mercado transformou a importação de ureia automotiva em um vetor estratégico de competitividade. Na Usiquímica, as decisões de compras externas passaram a ser integradas entre as áreas de suprimentos, finanças e logística, com avaliação simultânea de exposição cambial, custo logístico total, prazos, confiabilidade das rotas e impacto sobre o capital de giro.
“Não se trata mais apenas de preço. Hoje avaliamos risco, previsibilidade e capacidade de entrega. A leitura do cenário global precisa ser constante e a tomada de decisão, ágil”, explica Minatti. Ele destaca que se trata de um mercado concentrado, com forte dependência de grandes produtores globais, especialmente Rússia e China.
Nesse ambiente, a produção nacional do Arla 32 Ecotec aparece como um diferencial competitivo. “A produção local, combinada a uma cadeia logística controlada e acordos estratégicos de fornecimento de longo prazo, nos permite garantir continuidade de abastecimento ao mercado brasileiro, além de assegurar a qualidade do produto, que é crítica para o setor de pesados, para o meio ambiente e para a sociedade”, afirma.

Origem, geopolítica e logística no centro das decisões
As incertezas geopolíticas e os riscos logísticos também mudaram os critérios de escolha de origens e fornecedores. Segundo Minatti, fatores como estabilidade política, previsibilidade logística, histórico de relacionamento comercial e flexibilidade contratual passaram a ser tão relevantes quanto o preço.
“A dependência de uma única origem representa um risco elevado. A China, por exemplo, pode bloquear exportações sem aviso prévio em momentos de maior demanda interna”, observa. Atualmente, a Usiquímica concentra suas importações na Rússia, onde construiu, ao longo do tempo, uma relação de confiança e parceria. “Quando a origem é correta, o desafio não está na qualidade. Contratos longevos e planejamento logístico são essenciais para reduzir riscos de ruptura”, completa.
Crescimento da frota amplia mercado e competição
A expansão da frota brasileira equipada com tecnologia SCR tende a sustentar o crescimento do mercado de Arla 32, ao mesmo tempo em que eleva o nível de competição. Para Minatti, a resiliência dos players nos próximos anos será definida pela capacidade de integrar escala operacional, acesso estruturado a insumos, inteligência de mercado e eficiência logística, aliadas à disciplina financeira.

Pioneira na produção de Arla 32 no Brasil, a Usiquímica iniciou sua operação no segmento em 2012. A planta de Guarulhos (SP), maior unidade da companhia no país, possui capacidade produtiva de até 300 mil litros por dia, com processos semiautomáticos e tanques exclusivos, que eliminam riscos de contaminação cruzada. Em 2025, o Arla 32 Ecotec registrou crescimento de 18% em relação a 2024, reflexo da ampliação da capilaridade comercial e do fortalecimento da atuação no segmento.
Para 2026, a expectativa é de manutenção dessa trajetória, com projeção de crescimento em torno de 15%, sustentada pela capacidade instalada, cadeia controlada e uma estratégia de longo prazo voltada à previsibilidade e à eficiência logística.
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