As entidades que representam a indústria brasileira de autopeças pediram ao governo federal que não prorrogue os incentivos à importação de veículos eletrificados desmontados ou semidesmontados, conhecidos como CKD e SKD. Em carta enviada ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a Abipeças e o Sindipeças alertam para impactos negativos sobre a produção nacional, o emprego e a arrecadação tributária.
O pedido se refere às cotas de importação com redução ou isenção do imposto de importação para veículos eletrificados enquadrados em regimes especiais, com vigência até janeiro de 2026. Segundo as entidades, a política tem estimulado um crescimento expressivo das importações, sobretudo de países asiáticos, sem contrapartidas relevantes em termos de uso de mão de obra ou de componentes nacionais.
De acordo com o documento, entre 2024 e 2025 foi registrado um volume recorde de importações desses veículos. No mesmo período, os emplacamentos de veículos eletrificados importados somaram 219 mil unidades até outubro de 2025, alta de 39% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
As associações estimam que o avanço das importações com benefícios fiscais tenha causado uma perda potencial de cerca de R$ 97 bilhões ao segmento de autopeças, além de uma renúncia fiscal aproximada de R$ 24 bilhões. O setor responde por cerca de 20% do PIB industrial brasileiro e é intensivo em mão de obra, o que, segundo as entidades, amplia o risco de fechamento de vagas e desestímulo a novos investimentos.
“O modelo atual favorece produtos que não geram conteúdo local, não utilizam componentes nacionais e não contribuem para a cadeia produtiva instalada no país”, afirmam Abipeças e Sindipeças na carta. Para elas, a manutenção do regime pode comprometer a capacidade da indústria de investir em novas tecnologias e atender às exigências de descarbonização previstas no programa Mover (Mobilidade Verde e Inovação), lançado pelo governo federal.
Além de se posicionarem contra a prorrogação das cotas, as entidades defendem a recomposição imediata da alíquota de 35% do imposto de importação para veículos eletrificados, antecipando o cronograma de equalização tarifária previsto pelo governo.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços ainda não se manifestou publicamente sobre o pleito. O tema envolve um equilíbrio delicado entre a política industrial, a atração de investimentos, a transição energética e a proteção da cadeia automotiva instalada no país, em um momento de forte transformação tecnológica do setor.



