Como a Ghelere chegará a R$ 1 bi após incorporar a Brilhante Transportes

Transportadora de Cascavel amplia atuação com entrada no segmento frigorificado, soma mais de 600 veículos e prepara terreno para abertura de capital

Aline Feltrin

A Ghelere Transportes, empresa com sede em Cascavel (PR) e forte atuação no transporte rodoviário de bebidas, deu um passo decisivo em sua estratégia de crescimento ao incorporar a Brilhante Transportes, especializada em cargas frigorificadas e com matriz em Foz do Iguaçu (PR). Concluída nesta semana, após um ano de negociações, a operação reforça a diversificação do portfólio e amplia a presença da companhia nos corredores logísticos do Mercosul.

Com a incorporação, a Ghelere adiciona cerca de 200 veículos à frota atual de aproximadamente 400 conjuntos, passando a operar com mais de 600 caminhões e uma rede superior a dez filiais no Brasil. O movimento posiciona a transportadora como um dos principais players do Oeste do Paraná, região que vem se consolidando como polo logístico impulsionado pela expansão do agronegócio, da indústria de alimentos e do comércio transfronteiriço.

“Esse movimento está diretamente ligado à nossa visão de longo prazo e ao objetivo de abertura de capital. A incorporação acelera nossa estratégia de diversificação e consolidação no Mercosul”, disse Eduardo Ghelere, CEO da companhia, à reportagem do portal Transporte Moderno.

Diversificação como vetor de crescimento

Fundada com foco no transporte de bebidas e cargas manufaturadas, a Ghelere atende desde o fluxo de matéria-prima até a distribuição de produtos acabados para centros de consumo. Em 2024, a empresa registrou faturamento de R$ 300 milhões, apoiada em contratos com grandes indústrias globais e marcas nacionais.

A entrada no transporte frigorificado amplia o alcance da operação e adiciona um segmento estratégico ligado à cadeia de proteínas e alimentos. Com 20 anos de atuação, a Brilhante Transportes encerrou 2024 com faturamento de R$ 121 milhões e carteira de grandes embarcadores nacionais e internacionais.

A combinação das operações amplia a competitividade da Ghelere em rotas de alto valor agregado e reforça sua presença nos principais eixos logísticos do Sul do Brasil e países vizinhos.

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Integração e ganhos de eficiência

Segundo a companhia, o processo de integração será gradual e priorizará áreas de retaguarda antes da convergência operacional. A primeira etapa envolve a unificação dos back offices fiscal, contábil e financeiro, além da área de manutenção, de forma a preservar o nível de serviço percebido pelos clientes.

“O principal indicador que deve melhorar no curto prazo é o SG&A, com ganhos de escala e sinergias administrativas. Ao mesmo tempo, esperamos ampliar o faturamento com a entrada das cargas frigorificadas”, explica Ghelere.

A estratégia inclui ainda a padronização de processos, maior uso de tecnologias embarcadas, reforço das práticas de segurança e sustentabilidade e investimento no desenvolvimento das equipes.

A consolidação ocorre em um momento de fortalecimento logístico do Oeste do Paraná, região estratégica pela proximidade com Paraguai e Argentina. A expectativa de início das operações da segunda ponte entre Brasil e Paraguai e a busca de indústrias por incentivos fiscais no país vizinho tendem a ampliar o fluxo rodoviário de cargas.

“A Ghelere quer participar ativamente dessas mudanças. A região está cada vez mais movimentando cargas por via rodoviária, e esse movimento tende a crescer”, afirma o executivo.

Rumo ao mercado de capitais

A incorporação da Brilhante é considerada internamente um dos passos mais relevantes no caminho para a abertura de capital. Após a conclusão da transação, a empresa entra em uma fase de ajustes burocráticos e de cultura organizacional, com o próximo marco formal sendo a transformação em sociedade anônima (S/A).

Com a consolidação das operações, a Ghelere projeta atingir faturamento de R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos, sustentado pela diversificação de serviços, expansão seletiva da frota e crescimento conforme a assinatura de novos contratos. A idade média dos veículos, segundo a companhia, deverá ser mantida em torno de três anos.

A estratégia reflete um movimento mais amplo do setor de transporte rodoviário de cargas, no qual escala, especialização e eficiência operacional se tornam fatores decisivos para competir em um ambiente de margens pressionadas e maior integração regional.

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