Fim da desoneração deve pressionar frete e custos logísticos, afirma NTC

Simulações do Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (Decope), ligado à NTC, indicam que o impacto direto médio da medida é de cerca de 1,5% ao ano nos custos das empresas

Aline Feltrin

A Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1541/2021, que prevê a gratuidade do exame toxicológico para caminhoneiros

A nova etapa do fim da desoneração da folha de pagamento, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, deve pressionar os custos do transporte rodoviário de cargas e reduzir de forma relevante a rentabilidade do setor, afirma a NTC&Logística.

Segundo a entidade, a retomada gradual da contribuição previdenciária de 20% sobre a folha de salários afeta diretamente uma atividade intensiva em mão de obra e responsável por mais de 65% da logística nacional.

Simulações do Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (Decope), ligado à NTC, indicam que o impacto direto médio da medida é de cerca de 1,5% ao ano nos custos das empresas. Considerando a primeira etapa da reoneração, iniciada em janeiro de 2025, o efeito acumulado alcança aproximadamente 3% em 2026, o que corresponderia a cerca de 60% do lucro médio do setor.

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A entidade avalia que os efeitos vão além das transportadoras. Reajustes promovidos por fornecedores e por transportadores autônomos agregados podem ampliar o impacto total, elevando a pressão sobre o valor do frete e, consequentemente, sobre os preços de bens essenciais.

De acordo com a NTC&Logística, o setor não tem capacidade de absorver novos custos. Levantamento da entidade aponta uma defasagem média superior a 10% entre o frete praticado e o custo real das operações.

Sem a recomposição dos valores do frete, a NTC afirma que a nova etapa do fim da desoneração tende a comprometer resultados, afetar investimentos e gerar reflexos inflacionários ao longo da cadeia produtiva.

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