As tarifas do transporte marítimo de contêineres voltaram a subir no fim do ano nas principais rotas comerciais do mundo, especialmente nos corredores entre a Ásia e a Europa, segundo levantamento do site especializado Mundo Marítimo, com base em dados do Freightos Baltic Index (FBX). O movimento é impulsionado pela antecipação da demanda antes do Ano Novo Lunar e pelo aumento dos tempos de trânsito causado pelos desvios de navios ao redor do Cabo da Boa Esperança, em razão das restrições de navegação no Mar Vermelho.
O Ano Novo Lunar é uma das principais datas do calendário asiático e marca o início do novo ano com base nos ciclos da Lua. A data é móvel e ocorre entre o fim de janeiro e meados de fevereiro — em 2026, a celebração será em 17 de fevereiro. O feriado é amplamente comemorado na China e em outros países da Ásia, como Vietnã, Coreia do Sul e Singapura, e costuma provocar paralisações temporárias de fábricas, portos e escritórios. No comércio global, especialmente no transporte marítimo, o período leva à antecipação de embarques nas semanas que antecedem a festividade, elevando a demanda por contêineres, pressionando os fretes e alongando os prazos de entrega.
Na última semana, o frete entre Ásia e Europa avançou 1%, para US$ 2.742 por FEU (contêiner de 40 pés), nível 12% superior ao registrado em meados de dezembro e o mais alto desde o fim da temporada de pico. Já as tarifas da rota Ásia–Mediterrâneo subiram 4%, alcançando US$ 4.004 por FEU, superando pela primeira vez desde julho a marca de US$ 4.000 e ficando cerca de 20% acima dos valores da primeira quinzena de dezembro.
Segundo Judah Levine, diretor de pesquisa da Freightos, a sustentação dos preços está ligada ao início antecipado da demanda pré–Ano Novo Lunar, em um cenário de prazos de entrega mais longos. A expectativa, de acordo com ele, é que os fretes permaneçam elevados ou sigam em alta à medida que a data da festividade se aproxima.
No eixo transpacífico, os reajustes foram mais moderados, refletindo a menor eficácia dos aumentos gerais de tarifas promovidos pelas companhias de navegação. Desde meados de dezembro, os fretes da Ásia para a Costa Oeste dos Estados Unidos subiram 9%, para US$ 2.145 por FEU, enquanto as tarifas para a Costa Leste avançaram 15%, para US$ 3.364 por FEU.
Levine avalia, no entanto, que essas rotas ainda devem enfrentar pressão de alta com a ativação da demanda pré-festividade, embora o início mais tardio do Ano Novo Lunar neste ano, em 17 de fevereiro, possa abrir espaço para uma correção de curto prazo antes de nova aceleração.
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Crescimento nos volumes globais
Em termos de volume, o levantamento destaca que, apesar da retração das importações marítimas dos Estados Unidos e do impacto da guerra comercial, a força dos embarques da Ásia para a Europa, África e América Latina permitiu um crescimento de 4% nos volumes globais até o início do quarto trimestre. O desempenho reflete, em parte, a estratégia chinesa de diversificação de parceiros comerciais.
Para os próximos anos, a S&P Global projeta nova queda nas importações marítimas dos Estados Unidos em 2026, com recuo estimado de 2%. Caso se confirme, o biênio 2025–2026 será o terceiro, nas últimas duas décadas, a registrar dois anos consecutivos de contração. Ainda assim, entidades como a BIMCO avaliam que o comércio marítimo global deve continuar crescendo, mesmo com a fraqueza do mercado americano.
Na avaliação da Freightos, o setor inicia o novo ano com sinais mistos: tarifas firmes nas principais rotas intercontinentais, mas uma demanda ainda sujeita a fatores geopolíticos, comerciais e sazonais.
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