Elétrico ou GNV? West Cargo testa novas tecnologias para reduzir custos e emissões

Transportadora testa caminhões elétricos e a GNV para reduzir custos e emissões no transporte rodoviário de cargas. Empresa avalia payback, manutenção e uso de biometano

Redação

A West Cargo, transportadora rodoviária com mais de 27 anos de atuação, iniciou em 2025 testes operacionais com caminhões elétricos e caminhões a GNV (Gás Natural Veicular) para reduzir custos operacionais e emissões de gases de efeito estufa no transporte rodoviário de cargas. A estratégia acompanha o avanço da transição energética no setor logístico, responsável por mais de 90% das emissões do sistema de transportes no Brasil, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT).

De acordo com o presidente da empresa, Hélio Rosolen, a frota piloto é composta por dois caminhões a GNV e um caminhão elétrico, alocados em rotas específicas para análise de desempenho, autonomia, manutenção e viabilidade econômica. “Os resultados iniciais indicam que as tecnologias são viáveis e criam base para investimentos mais consistentes a partir de 2026”, afirma.

Caminhões elétricos reduzem custos de manutenção

Nos testes com caminhões elétricos, a West Cargo identificou redução de até 50% nos custos de manutenção. O ganho está relacionado à menor quantidade de peças móveis e à ausência de componentes típicos de motores a combustão, como óleo lubrificante, filtros de combustível e sistemas de pós-tratamento de emissões, como o Arla 32.

Outro fator relevante é o uso da frenagem regenerativa, que reduz o desgaste de pastilhas e discos de freio. Segundo a empresa, o prazo estimado de payback do investimento em caminhões elétricos é de aproximadamente quatro anos, desde que o tempo de recarga seja adequadamente planejado para não impactar a operação.

Caminhões a GNV ampliam economia operacional

Os caminhões a GNV apresentaram custo por quilômetro rodado entre 15% e 20% menor em comparação ao diesel S-10, com variação conforme a região. Apesar da autonomia inferior, a manutenção é considerada semelhante à dos modelos a diesel, com vantagem de não utilizar Arla 32 nem filtros de partículas (DPF) mais complexos.

O custo de aquisição de um caminhão a GNV é, em média, de 35% a 40% superior ao de um modelo equivalente a diesel. O retorno do investimento ocorre geralmente entre quatro e cinco anos, de acordo com o perfil da operação.

Biometano pode reduzir emissões em até 90%

A West Cargo também avalia o uso de biometano, combustível renovável produzido a partir de resíduos orgânicos. Nesse cenário, a redução de emissões pode chegar a 90%, nível semelhante ao dos caminhões elétricos, tornando o GNV uma alternativa relevante na descarbonização do transporte de cargas.

Além dos ganhos ambientais e econômicos, a empresa observou boa aceitação dos motoristas, especialmente devido ao menor nível de ruído e vibração dos veículos. O principal desafio para a ampliação dessas tecnologias, segundo a companhia, segue sendo a infraestrutura de abastecimento e recarga fora dos grandes centros urbanos.

Com base nos resultados obtidos em 2025, a West Cargo planeja ampliar os investimentos em veículos movidos a fontes de energia renovável em 2026, reforçando uma estratégia de transição energética gradual e alinhada à realidade operacional do transporte rodoviário de cargas no Brasil.

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