Déficit da indústria de autopeças chega a US$ 2,5 bilhões no primeiro bimestre

As importações aumentaram 24,6%, totalizando US$ 3,7 bilhões, e as exportações se mantiveram estáveis,com US$ 1,17 bilhão, leve alta de 0,5% na comparação com igual período de 2024

Sonia Moraes

A indústria de autopeças registrou em fevereiro um déficit de US$ 1,1 bilhão, montante 23% inferior ao de janeiro deste ano (US$ 1,43 bilhão) e 49,7% superior ao do mesmo mês de 2024. As importações totalizaram US$ 1,71 bilhão, um crescimento de 27,1% na comparação anual, enquanto as exportações permaneceram praticamente estáveis, atingindo US$ 610,8 milhões, uma leve queda de 0,2% em relação a fevereiro de 2024.

No primeiro bimestre de 2025, a balança comercial das fabricantes fechou com déficit de US$ 2,5 bilhões, 40,3% superior ao saldo negativo de US$ 1,8 bilhão acumulado de janeiro a fevereiro de 2024. Esse resultado se deve ao crescimento expressivo das importações, que somaram US$ 3,7 bilhões no período, um aumento de 24,6% em relação aos US$ 2,9 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. As exportações permaneceram estáveis, totalizando US$ 1,179 bilhão, um leve crescimento de 0,5% na comparação com o primeiro bimestre de 2024 (US$ 1,173 bilhão).

Em 2025, a grande preocupação para o setor, segundo o Sindipeças, é a taxação de 25% nas importações de veículos e peças pelo governo Trump. Entre as autopeças que poderão ser sobretaxadas estão motores, transmissões, peças do trem de força e componentes elétricos.

“Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 1,3 bilhão em autopeças e componentes para os Estados Unidos, o que representou 17,5% das exportações brasileiras, ficando atrás apenas da Argentina (34,6%), contexto que fundamenta as preocupações setoriais acerca do futuro das relações comerciais e dos impactos na economia brasileira”, destaca o Sindipeças.

Diante da perspectiva de um cenário doméstico com juros altos e câmbio ainda em patamares historicamente elevados ao longo do ano, a estimativa do Sindipeças é de uma redução nas importações de componentes e possibilidade de expansão das exportações para novos mercados em 2025, compensando parcialmente os efeitos negativos da taxação dos Estados Unidos.

Importações

Nas importações provenientes de 135 países de janeiro a fevereiro de 2025, a China continua como o principal fornecedor de componentes para a fabricantes de autopeças, com US$ 782,1 milhões, 39,9% superior ao primeiro bimestre de 2024, quando atingiu US$ 558,9 milhões, tendo 21% de participação.

Os Estados Unidos se mantiveram em segundo lugar, com US$ 373,5 milhões de produtos adquiridos pelas empresas brasileiras, aumento de 12,7% em relação ao primeiro bimestre de 2024 (US$ 331,4 milhões) e a participação foi de 10%.

A Alemanha teve 8,9% de representatividade, com o total de US$ 329,9 milhões, 16,9% superior a janeiro e fevereiro 2024, quando atingiu US$ 282,1 milhões. O Japão ocupa o quarto lugar no ranking com 8,6% de participação e US$ 319,5 milhões de componentes enviados aos Brasil, 22% superior a igual período do ano passado.

O México teve 6,7% de participação nas compras das empresas, com US$ 249,6 milhões, aumento de 19,9% sobre janeiro e fevereiro de 2024.

Exportações

As exportações destinadas para 167 mercados tiveram como destaque a Argentina com 39,9% de participação no primeiro bimestre de 2025, com US$ 470,5 milhões, aumento de 28,9% sobre os US$ 364,9 milhões de componentes adquiridos do Brasil em janeiro e fevereiro de 2024. Em seguida, os Estados Unidos aparecem com US$ 213,4 milhões, um aumento de 0,6% em relação aos US$ 212,2 milhões registrados no mesmo período do ano passado, representando uma participação de 18,1%.

O México, que absorveu US$ 90,4 milhões, 36,5% inferior a janeiro e fevereiro do ano passado (US$ 142,3 milhões), teve 7,7% do total e a Alemanha ficou com 5,4% de participação, com US$ 64,2 milhões, retração de 14,7% sobre os US$ 75,2 milhões do primeiro bimestre de 2024.

O Chile aparece em quinto lugar nas exportações das empresas, com 2,7% de participação, e US$ 31,2 milhões de compras adquiridas das fabricantes brasileiras, 5,8% inferior aos US$ 33,1 milhões adquiridos em igual período do ano passado.

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