Invasão asiática na América Latina prejudica exportações da indústria brasileira de caminhões

Os países de origem asiática avançam nos mercados abertos latino-americanos, como o Chile, por exemplo, que praticamente não possui indústria e adota políticas de tarifas baixas para permitir importações

Aline Feltrin

O cenário é desanimador para as exportações de caminhões produzidos no Brasil. Segundo dados divulgados pela Anfavea, associação que reúne as fabricantes de veículos, as vendas externas das empresas com linha de produção no país caíram 13,7% no primeiro semestre do ano, o que significa 1,2 mil unidades a menos do que as 8,2 mil vendidas em igual período do ano passado. O fraco desempenho no semestre fez a indústria rever para baixo a expectativa de vendas externas de caminhões e ônibus para este ano. Se no começo de 2024 a estimativa era de 22 mil unidades, agora espera-se que o volume não ultrapasse 20 mil.

O presidente da Iveco para América Latina, Márcio Querichelli, avaliou, durante coletiva de imprensa da Anfavea, realizada nesta semana, que há uma perda significativa na competitividade dos produtos brasileiros nos principais mercados da América Latina. Conforme o executivo, as regras atuais não favorecem os caminhões nacionais. “Em países como Chile, Peru, Colômbia e Equador, dois terços desses veículos já são de origem asiática”, diz.

Ele acrescenta que os concorrentes estrangeiros, sobretudo os asiáticos, têm vantagens que o Brasil não acessa. Querichelli revela que o país está perdendo competitividade principalmente em nações abertas ao comércio internacional, como México, Chile e Peru.

Márcio Querichelli, presidente da Iveco para a América Latina (Divulgação)

Historicamente, os países de origem asiática têm uma grande representatividade nos mercados abertos latino-americanos. O Chile, por exemplo, praticamente não possui indústria própria e adota políticas de tarifas baixas para permitir importações, o que favorece esse tipo de operação.

Mesmo assim, segundo a Anfavea, o Brasil tem tido uma participação importante, sendo responsável por 80% do volume de veículos, principalmente de fabricantes europeus com produção nacional.” No entanto, temos perdido competitividade, volume e penetração nesses mercados”, disse o executivo da Iveco.

Custos para exportar

Segundo Querichelli, quando se observa os mercados do México, Chile e Peru, fica evidente que as condições econômicas tornam o Brasil menos competitivo.” É essencial encontrar caminhos para criar incentivos e recuperar nossa competitividade.”

O custo do frete dos produtos brasileiros para a América Latina também acaba sendo maior do que o de veículos vindos da Ásia, devido ao volume e à escala do transporte marítimo. Para melhorar essa situação, o presidente da Iveco conta que a indústria está em discussão com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para que o país volte a ser mais competitivo.

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