José Maurício Andreta Jr., presidente da Fenabrave: “Muito se fala sobre a crise na fabricação de semicondutores e componentes de alta tecnologia, mas o mundo também vive uma crise de logística”

“Como já avaliamos, a falta de peças e componentes é um dos fatores que influenciam no comportamento do mercado de caminhões e ônibus, mas não é o único”, comenta o presidente da Fenabrave

Transporte Moderno – Como o senhor avalia o mercado de caminhões em 2022? 

Andreta Jr.- Os emplacamentos seguem movimentados por pedidos realizados, em meses anteriores, e que ainda não haviam sido entregues. Apesar de ainda faltarem peças e componentes, um certo arrefecimento da demanda, para novos pedidos, tem feito com que a espera não exceda muito o período de 30 dias, para alguns modelos. Atualmente, este segmento está operando em um nível estável de oferta e demanda.

Transporte Moderno – E o mercado de ônibus?

Andreta Jr.– Compondo o segmento que mais sofreu queda durante a pandemia, os ônibus vêm consolidando resultado positivo no acumulado dos cinco primeiros meses de 2022. O volume ainda é pequeno e bastante dependente dos programas governamentais de transporte público, mas, é importante que os emplacamentos estejam superiores aos registrados em 2021, ainda que não de forma tão significativa. Para este ano, em que pese uma base comparativa baixa, sobre 2021, devemos ter um crescimento de 8% na comercialização de ônibus novos.

Transporte Moderno – O segmento de implementos deve acompanhar o desempenho do segmento de caminhões? Quais as expectativas para esse mercado?

Andreta Jr.– Mesmo sendo menos dependente de insumos importados, os implementos rodoviários têm sido afetados pela crise de logística, que dificulta a obtenção de peças e componentes. Muito se fala sobre a crise na fabricação de semicondutores e componentes de alta tecnologia, mas o mundo também vive uma crise de logística, que impacta na produção de diversos segmentos econômicos. Esse segmento que, normalmente, acompanha o comportamento dos emplacamentos de caminhões, apresentou queda de quase 10% nos primeiros cinco meses de 2022, mas ainda acreditamos na recuperação do setor, que deve ter resultados positivos.

Transporte Moderno – A falta de peças e componentes deve impactar negativamente os segmentos de caminhões e ônibus?

Andreta Jr.–  Como já avaliamos, a falta de peças e componentes é um dos fatores que influenciam no comportamento do mercado de caminhões e ônibus, mas não é o único. Estamos diante de um ano eleitoral, que traz muitas incertezas, estamos enfrentando os reflexos dos conflitos entre Rússia e Ucrânia que, além de agravar a crise de abastecimento, por exemplo, também de pneumáticos, nos traz aumento nos preços nos combustíveis, elevando os índices de inflação e as taxas de juros, impactando também na demanda de produtos e serviços.

Transporte Moderno – O ano deve seguir aquecido para o setor automotivo como um todo? Que segmentos se destacam (positiva ou negativamente)?

Andreta Jr. A Fenabrave iniciou o ano com expectativa de crescimento de 5,2%, para todos os segmentos somados. No entanto, ao realizarmos o balanço do primeiro semestre, devemos fazer uma reavaliação.

Transporte Moderno – E o mercado de usados deve continuar a crescer? Como está este mercado para o segmento de caminhões? 

Andreta Jr.– As transações de veículos usados, considerando todos os segmentos automotivos, apresentaram evolução de quase 25% em maio, o que fez com que o volume comercializado atingisse a marca de 1.174.499 unidades, melhor resultado de 2022 até o momento.

A comercialização de caminhões usados teve, em maio, o segundo maior crescimento de todo o Setor, totalizando 29.960 unidades comercializadas (+30,53). Porém, no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2021, houve queda de 24,29%, o que demonstra um arrefecimento na demanda, também em função da estabilidade na oferta de novos.

Transporte Moderno – E o setor de ônibus usados?

Andreta Jr.– As vendas de ônibus usados foram as únicas a manter resultado positivo, tanto em maio, isoladamente, quanto no acumulado do ano, com elevações de 24,76% e 7,68%, respectivamente. Vale lembrar que a base comparativa é baixa, pois este foi o segmento que mais sofreu durante os dois anos da pandemia do coronavírus.

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