Lauro Valdivia, assessor técnico da NTC&Logística: “Defendemos a utilização de gatilho para acompanhar e repassar os aumentos do diesel. O poder público deveria criar uma forma de amortecer estes reajustes”

Valdivia comenta a Medida Provisória (MP) 1117/2022 que altera uma regra para a elaboração da tabela de preço do piso mínimo de frete rodoviário de carga.

Com a medida provisória, a ANTT passa a atualizar a tabela de fretes quando ocorrer oscilação no preço do óleo diesel no mercado nacional superior a 5%, e não mais 10% como era anteriormente.

Transporte Moderno – Como os reajustes do combustível têm afetado as transportadoras?

Lauro Valdivia – Os aumentos nos preços do diesel têm diminuído bastante a rentabilidade das empresas, pois, os custos estão aumentando e o repasse não está acontecendo na mesma velocidade, consumindo a pouca margem de lucro.

Transporte Moderno – Como a MP 1.117/22 vai funcionar, na prática? A nova regra é benéfica para o setor?

Lauro Valdivia – Na prática, acredito que vai ser pouco eficiente, pois são poucas empresas que recebem com base no piso mínimo. Mas para as que recebem é uma boa medida já que diminui o tempo de repasse dos aumentos de combustível.

Transporte Moderno – Que medidas a NTC&Logística sugere para ajudar as empresas a enfrentar o problema dos reajustes? Como o poder público poderia atuar?

Lauro Valdivia – A NTC&Logística defende a utilização de gatilho para acompanhar e repassar os aumentos do diesel. O poder público deveria criar uma forma de amortecer estes reajustes, ampliando assim o intervalo entre um e outro, o que possibilitaria a negociação e o repasse destes aumentos aos clientes.

Transporte Moderno – Como está situação e quais as perspectivas para o transporte rodoviário de cargas nos próximos meses?

Lauro Valdivia – Com exceção de um segmento ou outro, a maioria está sofrendo bastante com os aumentos dos insumos em patamares que a muito não se via, de 40%, 50% e até 60%.  Nem a pequena recuperação da economia está ajudando o setor.

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