Mercado de veículos pesados deve crescer 10% em 2022

No ano passado, o licenciamento de caminhões apresentou expansão de 43,5%, enquanto o segmento de ônibus registrou discreto aumento de 0,9%

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou dados sobre o mercado em 2021 e as perspectivas para este ano. As vendas de caminhões cresceram 43,5% ao longo do ano passado, com a comercialização de 128,7 mil veículos. Em dezembro, os licenciamentos apresentaram expansão de 20,8%, com 11,8 mil caminhões licenciados.

A produção de caminhões registrou alta de 74,6% em 2021, com 158,8 mil veículos. Em dezembro, 12,4 caminhões foram produzidos, um resultado 18,2% acima do que o alcançado no mesmo mês do ano anterior. “Houve dificuldades na oferta de componentes, mas o volume produzido foi muito bom, sendo o melhor desde 2014. É preciso destacar que o segmento de caminhões está em um patamar diferenciado no mercado”, avaliou Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea.

Os caminhões pesados representam cerca de metade dos modelos comercializados, com 66,14 mil veículos. Já os semipesados chegaram a 32,18 mil caminhões licenciados. “O agronegócio e a mineração têm tido um desempenho muito forte. E, juntamente com o e-commerce, têm aquecido o mercado de caminhões, em especial dos pesados e semipesados”, comentou Saltini.

Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade, observou que o mercado de caminhões ainda não atingiu os patamares mais altos já registrados, como em 2011, mas o segmento vive um bom momento.

As exportações apresentaram alta de 70,6%, com 22,669 mil caminhões vendidos no mercado externo, sendo 743 semileves, 3,35 mil leves, 1,04 mil médios, 6,25 mil semipesados e 11,29 mil pesados. Os principais mercados são: Argentina, Chile e Peru.

A previsão de vendas para os veículos pesados (caminhões e ônibus) em 2022 é de uma expansão de 10%, com 157 mil veículos. A expectativa quando se considera apenas caminhões, é chegar a 140 mil modelos, o que representaria um incremento de 9% em comparação ao resultado do ano passado. Os números baseiam-se em uma projeção de crescimento do PIB do país de 0,5% e taxa Selic a 11% no final do ano.

“Apesar das turbulências econômicas e do ano eleitoral, apostamos numa recuperação de todos os indicadores da indústria, que poderiam ser ainda melhores se houvesse um ambiente de negócios mais favorável e uma reestruturação tributária sobre os produtos industrializados”, disse Moraes.

Moraes acredita que a crise na oferta de semicondutores e outros componentes ainda persiste, e não descartou eventuais paradas de fábricas por causa do problema. Outra fonte de preocupação é a nova variante da Covid-19 e seus efeitos na economia. “Vamos ter muitas emoções no primeiro semestre”, afirmou, cauteloso.

ÔNIBUS-

O mercado brasileiro absorveu 14,1 mil ônibus em 2021, o que representa 0,9% de aumento em relação ao ano anterior. Em dezembro, foram 1,2 mil ônibus licenciados, com um crescimento de 12,8%, em relação ao mês anterior, e de 2,7% em comparação a dezembro de 2020. Luiz Carlos Moraes destacou que o segmento de ônibus enfrenta um momento difícil, em decorrência da queda do número de passageiros causada pela pandemia e por aumentos de preços que impactaram as operações, como o do combustível.

“É importante discutir um novo modelo de transporte público, mais eficiente e sustentável financeiramente”, comentou. Moraes enfatizou a relevância do programa Caminho da Escola para este mercado.

Marco Saltini também assinalou as dificuldades deste segmento. “O mercado de ônibus sofreu bastante com a pandemia e ainda continua bastante fragilizado. É importante lembrar que houve uma licitação de sete mil ônibus do programa Caminho da Escola, e que a maior parte destes veículos serão licenciados neste ano”, observou.

Segundo a Anfavea, no ano passado, a produção de ônibus no Brasil registrou um crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior, com 18,88 mil veículos fabricados em 2021. Do total de ônibus produzidos, 2,39 mil foram modelos rodoviários, segmento que teve queda de 18,4% em relação a 2020; e 16,48 mil foram urbanos, incluindo os modelos escolares, o que representa alta de 6,6% em relação a 2020 no segmento.

Em dezembro, foram produzidos 1,42 mil ônibus, sendo 127 rodoviários e 1,3 mil urbanos e escolares. O resultado representa retração de 9,7% em relação a novembro de 2021 e incremento de 41,6% na comparação com dezembro do ano anterior. As exportações de ônibus montados brasileiros em 2021 totalizaram 4,23 mil ônibus, com uma expansão de 2,8% sobre 2020.

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