Mercado de ônibus aumenta 3,8% de janeiro a outubro

Em setembro, dos 905 veículos vendidos no país, a maior representatividade foi dos modelos urbanos com 33% de participação no mercado, seguidos pelos rodoviários com 16%, os escolares com 11% e o fretamento com 7%

Sonia Moraes

As montadoras de ônibus fecharam outubro com 905 veículos emplacados, 6% a mais que em setembro (854 unidades), tendo a maior representatividade dos modelos urbanos com 33% de participação no mercado, seguidos pelos rodoviários com 16%, os escolares com 11% e o fretamento com 7%, segundo a Associação Nacional do Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Apesar do desempenho positivo, Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, considerou pouco significativo o aumento nas vendas de ônibus em outubro diante de um volume muito baixo, o que mostra que o mercado continua em situação bastante complicada.

“A gente percebe a importância do Caminho da Escola nos números de ônibus. Estamos agora no meio da transição da licitação anterior para a nova licitação e os primeiros emplacamentos da nova licitação vai aparecer mais no fim deste ano”, disse Saltini, destacando ainda que o mês de outubro é o pior para o mercado de ônibus desde 2017.

No acumulado de janeiro a outubro de 2021, o aumento nas vendas foi de 3,8% com 11.843 ônibus emplacados no mercado brasileiro, ante os 11.406 registrados no mesmo período de 2020. “Foi o melhor acumulado desde 2019, mesmo assim a gente sabe que o mercado de ônibus continua fragilizado”, comentou Saltini.

A produção de ônibus em outubro atingiu 1.304 unidades, 8,8% a mais que em setembro deste ano (1.198 unidades), se destacando como o melhor mês desde agosto de 2021 e o pior outubro desde agosto de 2015.

No acumulado de janeiro a outubro, a produção chegou a 15.869 ônibus, sendo 13.770 urbanos e 2.099 rodoviários. Apesar do pequeno crescimento de 1,1%  sobre o mesmo período de 2020 (15.691 unidades), é o melhor acumulado desde 2019, segundo Saltini.

Mercado externo-

As exportações de ônibus avançaram 25,9% em outubro diante de setembro, com o embarque de 311 veículos – 234 urbanos e 77 rodoviários. No acumulado de janeiro a outubro de 2021, as montadoras exportaram 3.161 chassis de ônibus – 2.216 urbanos e 945 rodoviários – 4,2% a menos que no mesmo período de 2020, quando foram vendidos 3.299 veículos no mercado internacional. Os principais mercados foram Argentina, Chile e Peru.

A percepção de Saltini é de que, em 2022, com a vacinação e o controle da pandemia, as exportações voltem a ter uma situação um pouco mais estabilizada e haja uma retomada do mercado de ônibus em todos os países.

“Há uma pressão mundial muito grande pelas questões climáticas e, sem dúvida alguma, o setor de transporte de passageiros tem um papel fundamental, e a gente tem percebido que boa parte dele está nos centros urbanos que sofrem impacto em termos de emissão local. Portanto, há uma visão de que o setor de ônibus passe a ter relevância para a exportação e volte a ter volumes mais adequados”, disse Saltini.

O vice-presidente da Anfavea ressaltou, no entanto, que é preciso melhorar a competitividade do Brasil, ter condições adequadas para que possa de fato colocar o Brasil no lugar como um grande produtor e exportador de veículos, disputando esse mercado com todos os produtores mundiais.

Saltini acredita que é preciso avaliar como reduzir o custo Brasil e citou o Reintegra (Regime especial de reintegração de valores tributários), o qual considera ser um mecanismo importante para que a indústria de forma geral possa exportar em condições mais adequadas de competitividade. “A impressão que eu tenho é de que com essa normalidade diferenciada, em função da pandemia, o mercado de ônibus para a exportação volte a ser um mercado mais adequado como a gente imaginava que deveria ser”, disse Saltini.

Ranking

No ranking de janeiro a outubro, a liderança ficou com a Mercedes-Benz com a venda de 4.702 ônibus, 16% a menos que mesmo período do ano passado (5.599). O segundo lugar ficou com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que vendeu 3.294 veículos até outubro de 2021, o que representa 1% a menos que no mesmo período do ano anterior (3.327 unidades). Em terceiro ficou a Agrale, que comercializou 2.352 ônibus, 79,5% a mais que dez meses de 2020 (1.310 unidades).

Na sequência, está posicionada a Iveco com 974 ônibus vendidos até outubro, 197,9% a mais que no mesmo período do ano anterior, quando vendeu 327 ônibus. A Volvo comercializou 320 ônibus, 15,8% a menos; e a Scania, que registrou a venda de 170 veículos, com redução de 47,2%. 

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