Vendas de caminhões avançam no país puxadas pelo agronegócio

Dos 47.359 veículos vendidos de janeiro a maio, 63,8% a mais que no mesmo período do ano passado, 24.634 unidades são de modelos pesados, informou a Anfavea

O mercado de caminhões manteve bom desempenho em maio com 11.497 veículos emplacados, 17,5% a mais que em abril. Nos cinco primeiros meses do ano as vendas atingiram 47.359 unidades, 63,8% superior aos 28.906 veículos vendidos no mesmo período de 2020, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). “É o melhor acumulado desde 2014 e estamos voltando ao padrão bom do mercado de caminhões”, disse Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

Os modelos pesados continuam se destacando no setor, estimulados pelo agronegócio que tem demandado muitos caminhões. De janeiro a maio a venda desses veículos atingiram 24.634 unidades, 71% a mais que nos cinco meses de 2020, cujas vendas atingiram 14.404 unidades. Os semipesados tiveram 11.631 veículos vendidos até maio, 59,3% a mais que no mesmo período de 2020 (7.302 unidades).

A quantidade de modelos leves atingiu 4.522 veículos, 47,9% acima do ano anterior. De modelos médios foram 3.927 unidades, 49,3% a mais que janeiro a maio de 2020, e de semileves foram 2.645 unidades, 75% superior aos 1.511 veículos vendidos nos cinco meses de 2020.

Exportações – As exportações de maio ficaram 4,8% abaixo de abril, com o embarque de 1.797 veículos, mas nos cinco primeiros meses do ano o crescimento foi de 148,1%, com 8.963 veículos vendidos no mercado internacional, no comparativo aos 3.612 veículos exportados no mesmo período de 2020.

O destaque foram os caminhões pesados, com 4.115 veículos embarcados de janeiro a maio, 114,3% acima do mesmo período de 2020 (1.920 veículos), seguido pelos semipesados, cujas exportações atingiram 2.658 unidades, 196% superior aos cinco meses do ano passado (898 veículos).

Em CKC (veículos desmontados) foram exportados 1.671 caminhões até maio, 24,9% a mais que os 1.338 veículos vendidos no exterior nos cinco meses de 2020.

Produção – O bom volume de vendas internas e de exportações fizeram a produção de maio aumentar 6,2% em relação a abril com 13.908 caminhões, acumulando nos cinco meses do ano 60.083 veículos, avanço de 106% sobre janeiro a maio de 2020, quando foram fabricados 29.163 caminhões. “É um bom crescimento e o melhor acumulado desde fevereiro de 2014”, disse Moraes, destacando o setor de caminhões está rodando numa velocidade muito boa para atender a demanda do agronegócio, da mineração e do comércio eletrônico.

A quantidade de modelos pesados produzidos aumentou 90,2% de janeiro a maio, totalizando 29.655 unidades, e a de semipesados teve incremento de 124,9%, com 17.131 unidades.

Os modelos leves tiveram 9.707 unidades produzidas até maio, crescimento de 112,5%. De modelos médios foram 2.800 veículos, aumento de 156,2%, e de semileves foram 780 veículos, avanço de 170,8% sobre janeiro a maio de 2020.

Ranking – No ranking do setor a Volkswagen Caminhões e Ônibus assumiu a liderança com 13.424 caminhões vendidos no país de janeiro a maio, 67,7% superior ao mesmo período de 2020 (8.005 unidades), e o segundo lugar ficou com a Mercedes-Benz, que teve 12.644 veículos vendidos, 50,5% a mais que os cinco meses de 2020 (8.400 unidades).

A Volvo ficou em terceiro lugar com 7.488 veículos comercializados até maio, 35,7% acima do mesmo período de 2020 (5.518 unidades), e a Scania em quarto com 6.375 veículos, 136,8% a mais que janeiro a maio de 2020 (2.692 unidades).

A Iveco, quinta colocada, vendeu 2.751 veículos, avanço de 107,9% sobre os cinco meses do ano passado (1.323 unidades), e a DAF, que está em sexto lugar, comercializou 2.199 caminhões, 73,8% acima de janeiro a maio de 2020 (1.265 unidades).

O presidente da Anfavea alertou que há riscos de parada na produção nas montadoras por causa da falta de semicondutores – chips que fazem o armazenamento, processamento e transmissão de dados. No setor automotivo esse componente é usado na interligação e controle das funções do motor (ignição, avanço, injeção, sensores, pós-tratamento etc.), dos sistemas de segurança, de conforto e de entretenimento dos veículos.

“Em 2020, por causa da pandemia, o setor automotivo e o industrial tiveram redução substancial de volume, enquanto os setores de telecom, de computação, de eletrônicos e de smartphones puxaram o consumo de semicondutores, provocando a falta deste componente no mundo”, informou Moraes.

A consequência disso para o setor automotivo global, segundo Moraes, é a estimativa de perda de 3% a 5% no volume de produção de veículos em 2021, cuja previsão para este ano é que chegaria a 84 milhões de unidades. “Esse é um impacto que já estamos observando e está acontecendo na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia e na América Latina”, alertou o presidente da Anfavea.

Moraes não vê uma solução em curto prazo pelo fato de o semicondutor ser um produto que tem complexidade no seu design e na produção. Além disso, exige grande volume de recursos para pesquisa e desenvolvimento e um bilhão de euros para instalar uma fábrica, que demora de dois a quatro anos para se tornar operacional.

“Esse problema, que deve se alongar até os primeiros meses de 2022, é o responsável pelas paralisações temporárias de parte de nossas fábricas, algumas por períodos curtos, outras mais longos”, afirma o presidente da Anfavea. Ele ressalta que esse problema atinge vários setores industriais, mas o automotivo em especial, já que um único veículo pode ter até 600 semicondutores em seus sistemas eletrônicos de motorização, câmbio, segurança, conforto, entretenimento etc.

Na opinião de Moraes, a crise dos semicondutores, com produção quase toda concentrada na Ásia, indica um desafio que precisa ser enfrentado pelo Brasil como uma nação com visão de futuro. “Estados Unidos e países da Europa captaram o sinal de alerta e já estão desenvolvendo políticas industriais no sentido de produzir localmente esses componentes eletrônicos, que são a base de toda a revolução tecnológica do 5G, internet das coisas, automação e outras já em curso”, afirma o presidente da Anfavea.

“O setor automotivo e outras indústrias dependem cada vez mais desses insumos para dar um passo além em termos tecnológicos, atraindo para o país investimentos em pesquisa e desenvolvimento, e na esteira disso gerando conhecimento técnico, acadêmico e empregos de altíssima qualidade. Já estamos atrasados, o que exige urgência e grande visão de futuro por parte dos nossos dirigentes”, afirmou Moraes.

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