Déficit do setor de autopeças pode chegar a US$ 3,39 bilhões em 2021

O saldo negativo da balança comercial esperado para este ano será 23,3% superior a 2020, com US$ 9,74 bilhões de importações e US$ 6,35 bilhões de exportações

A indústria de autopeças poderá encerrar 2021 com déficit de US$ 3,39 bilhões, com importações de US$ 9,74 bilhões (19,2% a mais que em 2020) e exportações de US$ 6,35 bilhões (17,2% abaixo do ano anterior), segundo estimativa do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças). Este resultado representa aumento de 23,3% sobre o saldo negativo de US$ 2,75 bilhões registrado em 2020.  

O déficit de US$ 2,96 bilhões alcançado entre janeiro e abril de 2021, que é 155% superior aos US$ 1,16 bilhão registrados no mesmo período de 2020, está próximo do saldo negativo projetado para ano. Isso ocorreu

porque enquanto a quantidade de peças importadas de 156 países de janeiro a abril deste ano cresceu 65,6% em relação ao primeiro quadrimestre de 2020 (passou de US$ 3,03 bilhões em 2020 para US$ 5,02 bilhões em 2021), as exportações para 186 mercados aumentaram apenas 10,1%, totalizando US$ 2,06 bilhões, ante os US$ 1,87 bilhão registrados no mesmo período de 2020. 

Apesar de sinalizar a firme recuperação da atividade do setor, com a volta da normalidade dos mercados, o aumento das exportações não foi suficiente para evitar o déficit comercial no primeiro quadrimestre de 2021. “Para os próximos meses, a expectativa é de o déficit diminuir porque as exportações tendem a crescer por causa do câmbio favorável, enquanto as importações podem enfrentar dificuldades, com o atual problema de falta de semicondutores”, observou a área de economia do Sindipeças.

Na movimentação das exportações até abril, os principais parceiros comerciais das fabricantes de autopeças continuam sendo a Argentina com 27,5% de participação, seguida pelos Estados Unidos (17,5%) e o México (11,3%).

Nas importações a China está no topo do ranking, com 16% de participação nas compras totais das empresas, seguida pela Alemanha com 10,3% e os Estados Unidos, também com 10,3%.   

O Sindipeças observa que nos últimos dois meses as exportações retomaram o patamar que haviam apresentando no último trimestre de 2020, ao redor de US$ 500 milhões.

Em abril as exportações recuaram 4,6% com o total de US$ 550,1 milhões no comparativo a março, que alcançou um montante de US$ 576,3 milhões. As importações reduziram 14%, totalizando US$ 1,5 bilhão, enquanto em março atingiram US$ 1,7 bilhão.

Faturamento – O faturamento nominal da indústria de autopeças projetado para 2021 é de R$ 142,6 bilhões, 12,9% a mais em relação aos R$ 126,3 bilhões estimados para 2020, segundo o Sindipeças. As montadoras deverão contribuir com 63,3% aos resultados, o mercado de reposição com 17,8% e as exportações com 14,7%. 

Os investimentos programados pelas fabricantes devem diminuir 11,6% em 2021 para R$ 2,60 bilhões, ante os R$ 2,94 bilhões estimados em 2020. As empresas devem terminar o ano com 237,8 mil empregados, 2,1% a mais que em 2020, cuja estimativa é de 232,9 mil empregados, segundo o Sindipeças.

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