Fábio da Veiga, superintendente do porto de Itajaí: “Acredito que para temos um novo ciclo de avanço nos portos do país, não apenas em Itajaí, é preciso que haja uma retomada do poder decisório local, pelos portos propriamente ditos”

Fábio da Veiga assumiu a superintendência do porto de Itajaí em 1º de janeiro de 2021, tendo trabalhado na superintendência, entre 2005 e 2008, nos cargos de assessor jurídico, diretor jurídico e assessor de auditoria.

Transporte Moderno – Como foi o ano de 2020 para o porto de Itajaí? A pandemia afetou as operações?

Fábio da Veiga O ano foi surpreendente pela boa movimentação, já que registramos um crescimento de 14%. O que nos surpreendeu foi o final do ano muito positivo, pois no primeiro trimestre de 2020 tudo apontava para uma grande retração no comércio internacional, decorrente da pandemia da Covid-19. Entretanto, conseguimos manter nossas atividades diuturnamente com muito controle e conseguimos terminar o ano com aumento na movimentação e com um baixo impacto dos efeitos negativos da doença em virtude de todos os protocolos de segurança adotados, que foram acordados entre a autoridade portuária, o órgão gestor de mão de obra, a arrendatária e todos os atores envolvidos, incluindo os motoristas de caminhão

Transporte Moderno – Qual a expectativa para 2021?

Fábio da Veiga Projetamos um crescimento na movimentação de aproximadamente 7%, que é abaixo do que foi alcançado no ano anterior, porque estamos muito próximos de um limite operacional.

Transporte Moderno – Quais as primeiras ações que o senhor pretende realizar nesta nova gestão?

Fábio da Veiga Finalizar as desapropriações que já estão todas definidas judicialmente a fim de possibilitarmos o início imediato do contorno rodoviário ou urbano que irá permitir um alfandegamento de uma nova área de armazenagem de 40 mil m², que proporcionará um ‘respiro’ operacional até que o novo processo de desestatização seja finalizado. Então, poderemos conseguir dobrar praticamente a área operacional do porto de Itajaí.

Transporte Moderno – Quais as metas da sua administração? Estão previstas obras ou melhorias na infraestrutura?

Fábio da Veiga – Tentaremos avançar na segunda etapa da baía de evolução para permitir navios maiores de até 400 metros, sendo que a nossa limitação atual é de 350 metros. E também na abertura, juntamente com a administração municipal, de uma avenida de ligação com a avenida Marcos Konder, o que irá definir a área que porto terá com o processo de desestatização, já fechando as algumas ruas e possibilitando imediatamente a construção de novas áreas de armazenagem.

Transporte Moderno – Como o poder público pode apoiar o setor portuário? Que medidas o senhor considera mais relevantes para que os portos brasileiros, e em especial Itajaí, possam continuar a crescer?

Fábio da Veiga Desburocratizando o setor, o que vem avançando nos últimos anos. Essa desburocratização passa, não apenas pela relação da autoridade portuária com os demais órgãos envolvidos na administração, mas sobretudo fazendo com que as cargas tenham um prazo menor até a nacionalização ou a exportação. Isso possibilitaria que as cargas ficassem o menor tempo possível dentro da área portuária, permitindo um volume ainda maior de movimentação.

Transporte Moderno – Que medidas o senhor considera mais relevantes para que os portos brasileiros, e em especial Itajaí, possam continuar a crescer?

Fábio da Veiga Uma das medidas importantes é dar mais autonomia às autoridades portuárias, como ocorreu no início dos anos 90. Ao longo dessas décadas, alterou-se a legislação e foram sendo criados novos órgãos de controle, que acabaram reduzindo o poder decisório das autoridades portuárias. Acredito que para temos um novo ciclo de avanço nos portos do país, não apenas em Itajaí, é preciso que haja uma retomada do poder decisório local, pelos portos propriamente ditos. Nos últimos anos, uma série de leis e normas fez com que esses poderes fossem novamente aglutinados em Brasília. É importante dizer que a qualidade técnica desses órgãos melhorou bastante, mas, mesmo assim, a falta de agilidade não condiz com as necessidades prementes que as autoridades portuárias têm.

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