Indústria de caminhões fecha 2020 com impacto menor nas vendas

O emplacamento de 89.678 veículos no ano passado foi melhor que em 2018, ano de recuperação do setor, e foi sustentado pelos modelos pesados que tiveram 44.293 veículos vendidos no país

Sonia Moraes

O mercado de caminhões terminou 2020 com resultados acima do que havia sido projetado pela Associação Nacional do Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). O emplacamento de 9.838 veículos, 7,6% a mais que em novembro (9.143 unidades) de 2020 e 14,4% acima de dezembro de 2019 (8.598 unidades), destacou o último mês do ano passado como o melhor desde 2014.

“Tivemos uma surpresa positiva no ano passado. Dezembro foi um mês muito robusto, seguindo a tendência que o setor vinha apresentando e até um pouco a mais do que a gente imaginava para o fim de ano”, comentou Marco Saltini, vice-presidente da Anfavea, responsável por veículos pesados.

No acumulado do ano, o setor fechou com 89.678 veículos emplacados. “É um número melhor do que a gente esperava e mostra que o setor foi o menos afetado pela pandemia. Apesar da queda de 11,5% em relação a 2019 (101.335 unidades), o resultado de 2020 foi melhor que o de 2018, ano marcado pela recuperação da crise de 2014 e 2017”, disse Saltini. Em 2018 as vendas de caminhões totalizaram 76.005 unidades.

Do total de caminhões vendidos no ano passado, 44.293 unidades são caminhões pesados, com queda de 14,4% sobre 2019, e 23.120 unidades são semipesados, cuja retração foi de 0,5%. Os dois segmentos tiveram 75% de participação nas vendas de 2020.

Os modelos médios tiveram 8.357 unidades vendidas, 17% a menos que em 2019 e 9% de participação. Juntos os leves e semileves tiveram 16% de participação nas vendas totais, com 9.049 unidades e 4.859 unidades respectivamente.

Produção –

A produção de 10.485 caminhões em dezembro de 2020, embora tenha sido 8,6% inferior a novembro (11.474 unidades), mostra que o setor se manteve robusto no último mês do ano, o que em anos anteriores não ocorria, pois devido as férias coletivas este mês tende a ter produção menor. “Houve um esforço muito grande das empresas para tentar manter o nível de produção e de oferta de produto no mercado”, esclareceu Saltini.

Em comparação a dezembro de 2019 (5.974 unidades), as montadoras produziram no último mês do ano passado 75,5% a mais caminhões. “É um número significativo e o melhor dezembro desde 2011. Isso mostra a tentativa das empresas de contornar as micro paradas de acabaram acontecendo, com redução de coletivas, para manter a oferta de produto no mercado”, enfatizou o vice-presidente da Anfavea.

No acumulado do ano, a produção de caminhões chegou a 90.936 unidades, o que representou uma queda 19,9% sobre 2019, quando foram fabricados 113.476 veículos. “Esse é o pior acumulado desde 2017, quando foram fabricados 83.044 veículos”, disse Saltini.

Do total de caminhões produzidos, 44.097 unidades foram de modelos pesados, 27.212 de semipesados, 14.728 unidades de leves, 4.280 unidades de médios e 619 unidades de semileves.

Exportação –

Nas exportações, as montadoras apresentaram bom desempenho em dezembro, com o embarque de 1.643 veículos, 15,2% a mais que em novembro (1.426 unidades) e 68,9% acima de dezembro de 2019 (973 unidades). No acumulado do ano, entretanto, a retração foi de 2,3%, com 13.243 veículos comercializados no exterior.

Somente os modelos pesados tiveram bom desempenho nas exportações do ano passado, com crescimento de 4,6% nos embarques que totalizaram 6.621 unidades, segundo a Anfavea.

Em CKD (veículos desmontados), as montadoras exportaram 3.873 caminhões no ano passado, 10,87% a menos que em 2019, quando foram vendidos 4.346 veículos no mercado internacional.

Ranking –

No ranking do setor, a Mercedes-Benz manteve a liderança em 2020, com 26.758 caminhões vendidos no mercado brasileiro, 4,4% a menos que no mesmo período de 2019 (27.993 unidades).  O segundo lugar ficou com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que teve 25.586 veículos vendidos no país, 4,3% a menos que em 2019 (26.740 unidades).

A Volvo ficou em terceiro lugar com 14.976 veículos vendidos, 11,1% inferior a 2019 (16.844 unidades), e a Scania em quarto com 8.712 veículos, 31,7% a menos que em 2019 (12.757 unidades).

A Iveco, quinta colocada, vendeu 5.064 veículos, 30,2% a mais que em 2019 (3.889 unidades), e a DAF, que está em sexto lugar, comercializou 3.831 caminhões, 18% a mais que em 2019 (3.247 unidades).

Previsão –

Para 2021, a estimativa da Anfavea é que as vendas de caminhões tenham crescimento de 13%, atingindo 101 mil unidades. As exportações de veículos pesados (incluindo caminhões e ônibus) devem aumentar 16%, com 20 mil unidades, e a produção avançará 23%, totalizando 135 mil veículos.

“A gente continua com certa preocupação para 2021. Temos indicativos que podem ser positivos e outros não. Por isso, sinalizamos que ainda há neblina no caminho”, disse Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

“Em 2020 tivemos o lado positivo. No meio da pandemia, apesar das dificuldades, houve alguns avanços, com as medidas anticrise, com a injeção de liquidez no sistema pelo Banco Central, linhas de crédito para pequenas e médias empresas, aprovação do abono emergencial, flexibilidade na gestão da mão de obra nas fábricas com a suspensão temporária dos contratos e a redução da jornada de trabalho. São ferramentas que foram utilizadas e isso ajudou a economia de alguma forma, atenuando a queda do PIB, que poderia ser de 9% e chegamos a uma queda estimada em 4,5%”, citou Moraes.

“Para 2021 temos expectativa de crescimento de 3,5% do PIB, embora sobre uma base baixa de 2020. Mas os bancos falam que haverá crédito suficiente para atender o crescimento do mercado, mesmo que ocorra aumento da Selic por conta do controle da inflação. O nível de inadimplência está sob controle, o câmbio deverá se manter flutuante com volatilidade na faixa de R$ 5. A confiança do consumidor investidor talvez seja prejudicada no curto prazo por causa da segunda onda da pandemia, mas com imunização da população por meio da vacina a gente possa ter uma retomada”, disse o presidente da Anfavea.

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