Covid-19 não causou colapso na globalização

DHL divulga relatório sobre os impactos da pandemia em fluxos internacionais de comércio e de capital, informações e pessoas, em 169 países e territórios

Márcia Pinna Raspanti

A DHL e a Stern School of Business da Universidade de Nova York, lançaram em dezembro, A sétima edição do “Índice de Conectividade Global” (GCI). O relatório é a primeira avaliação detalhada sobre a globalização durante a disseminação da pandemia de Covid-19, e registra os fluxos internacionais de comércio, capital, informação e pessoas, em 169 países e territórios. Após manter-se constante em 2019, as previsões atuais sugerem que o índice irá cair significativamente em 2020 devido aos efeitos do distanciamento causado pela pandemia nas sociedades, como fronteiras fechadas, proibição de viagens e linhas aéreas de passageiros suspensas.

Apesar disso, é improvável que a pandemia diminua o nível de conectividade geral do mundo abaixo dos níveis registrados durante a crise financeira de 2008 e 2009. Os fluxos de comércio e de capital já começaram a recuperar e os fluxos de dados internacionais tiveram um grande aumento durante a pandemia, já que o contato pessoal foi substituído pelo mundo on-line, aumentando o tráfego internacional de internet, telefonemas e comércio eletrônico.

“A atual crise mostrou quão indispensáveis as conexões internacionais são para a manutenção da economia global, para a proteção do sustento das pessoas e no auxílio ao fortalecimento dos níveis de comércio das companhias”, afirma John Pearson, CEO global da DHL Express.

“Cadeias de suprimento e redes logísticas conectadas possuem um papel essencial para a manutenção do funcionamento do mundo e estabilização da globalização, especialmente neste momento de crise que assola o nosso planeta. Tal faz-nos lembrar da necessidade de estar sempre preparados para qualquer desafio. Os recentes avanços da vacina colocaram um holofote na importância sistémica de uma logística médica rápida e segura, dependente de uma rede interconectada global que garante efetivamente a distribuição internacional”, conclui Pearson.

Apesar de a Covid-19 ter interrompido os negócios e a vida em todo o mundo, a pandemia não conseguiu romper os elos fundamentais que nos conectam além das fronteiras nacionais. “Este relatório mostra que a globalização não entrou em colapso em 2020, mas que a pandemia de fato transformou, pelo menos temporariamente, a forma como os países se conectam. Também demonstra tanto os perigos de um mundo onde os principais elos são perdidos e a necessidade urgente de uma cooperação mais efetiva frente aos desafios globais”, comenta o autor principal do relatório, Steven A. Altman.

“Uma conexão global mais forte pode acelerar a recuperação mundial da pandemia de Covid-19, pois os países que se conectam mais aos fluxos internacionais tendem a beneficiar de um crescimento económico mais rápido”, completa Altman.

EFEITOS-

Conforme previsto, os confinamentos e a proibição de viagens para impedir a disseminação do vírus levaram a um colapso sem precedentes do fluxo de pessoas em 2020. O número de pessoas que viajam para países estrangeiros pode apresentar queda de 70% em 2020, de acordo com a mais recente previsão da ONU. O turismo internacional provavelmente não retornará ao seu nível pré-pandémico antes de 2023. No entanto, todos os outros tipos de fluxos se mantiveram surpreendentemente bem. O comércio internacional se recuperou fortemente após uma grande queda no início da pandemia e continua a ser a espinha dorsal das economias de todo o mundo.

Os fluxos de capital foram atingidos mais intensamente. Os fluxos de investimento estrangeiro direto (IED), que refletem as empresas que pretendem comprar, construir ou reinvestir em operações no exterior, podem cair de 30% a 40% neste ano, também conforme projetado pela ONU. No entanto, fortes respostas políticas por parte de governos e bancos centrais ajudaram a estabilizar os mercados. Os fluxos de informação digital tiveram um rápido crescimento, uma vez que a pandemia levou o trabalho, o entretenimento e a educação para a esfera on-line. As pessoas e empresas apressaram-se para se manter conectadas digitalmente, levando a aumentos de dois dígitos no tráfego de internet global.

O DHL Global Connectedness Index utiliza mais de 3,5 milhões de pontos de dados para acompanhar a globalização de 169 países durante o período de 2001 a 2019. O índice mede a conectividade global de cada país com base na dimensão dos seus fluxos internacionais em relação à dimensão da sua economia doméstica (profundidade) e na medida em que os seus fluxos internacionais são distribuídos globalmente ou com um foco mais estreito (amplitude).

Os dados mais recentes mostram que, novamente, a Holanda lidera o ranking dos países mais conectados globalmente. Singapura, Bélgica, Emirados Árabes Unidos e a Irlanda completam os cinco melhores. Singapura lidera no índice de fluxos internacionais relativos à atividade doméstica. Além disso, nenhum país possui uma distribuição de fluxos mais global do que o Reino Unido. O Brasil fica com o 60º lugar, enquanto o Chile ocupa a 47ª colocação e o México com a 65ª.

A Europa reivindica o primeiro lugar como a região mais globalizada do mundo, com oito dos dez países mais globalmente conectados aí localizados. Também lidera em fluxos de comércio e de pessoas, enquanto a América do Norte é a região com maiores fluxos de informações e de capital. A lista de economias que parecem estar excedendo as expectativas em relação aos fluxos internacionais é liderada por Camboja, Singapura, Vietnã e Malásia, com cadeias de abastecimento regionais como um fator chave no desempenho das nações do sudeste Asiático.

Por