Mercado de caminhões teve bom desempenho em outubro

Os 10.902 veículos produzidos representaram crescimento de 15,6% sobre setembro, ficando próximo de outubro de 2019, e mostra que o cenário está melhor que nos meses anteriores, segundo a Anfavea

O setor de caminhões segue recuperando as perdas e atinge em outubro a produção de 10.902 veículos, 15,6% acima de setembro deste ano (9.430 unidades). Com esse volume, fica muito próximo de outubro de 2019, quando foram fabricados 11.286 veículos, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).  

Mas no acumulado de janeiro a outubro a queda é de 30,1%, com 68.977 caminhões fabricados, ante 98.738 veículos produzidos nos dez meses de 2019. “Este é o pior acumulado de dez meses desde 2017 e foi impactado pela paralisação das atividades no período da pandemia”, disse Gustavo Bonini, vice-presidente Anfavea, durante coletiva online. 

Na produção de outubro a maior quantidade de caminhões foi de modelos pesados (5.062 unidades), 23,5% a mais que em setembro (4.100 unidades), seguida pelos semipesados (3.518 unidades), que aumentou 15,1% sobre o mês anterior. Os modelos leves tiveram elevação de 14,1%, com 1.846 unidades, ante os 1.618 veículos fabricados em setembro deste ano. “Ainda estamos aquém do potencial da indústria, mas vemos hoje que o cenário está melhor que nos meses anteriores”, observou Bonini.

Nas vendas de caminhões as 7.909 unidades em outubro – 8,2% a mais que em setembro (7.312 unidades) –, mostram que o setor atingiu a estabilidade no volume mensal, que contou também com o represamento das negociações que ocorreram durante a pandemia, segundo Bonini.

A maior representatividade nas vendas de outubro foram os caminhões pesados, com 3.600 unidades, 6,6% a mais que em setembro (3.377 unidades), e os semipesados, que tiveram 2.200 unidades vendidas, 6,9% acima do mês anterior (2.058 unidades). O segmento de leves teve 977 veículos vendidos, 25,3% superior a setembro (780 unidades), e os médios 798 veículos, 12,2% a mais que no mês anterior (711 unidades). 

Mas no acumulado do ano o setor registra queda de 15,5%, com 70.697 veículos vendidos no país, ante 83.673 unidades comercializadas no mesmo período de 2019. “A nossa expectativa é que o setor repita nos dois últimos meses do ano números semelhantes de vendas de outubro, sem apresentar grandes mudanças nas previsões”, disse o vice-presidente da Anfavea. 

Nas projeções feitas em outubro a Anfavea estima que o mercado de caminhões termine 2020 com 83.500 veículos vendidos, o que representará uma queda de 18% sobre 2019.

Nas exportações o franco desempenho do setor de caminhões, segundo Bonini, deve-se à retração que ainda enfrenta os países por causa do impacto da pandemia da Covid-19. Em outubro os embarques de veículos pesados totalizaram 1.474 unidades, 6% abaixo de setembro (1.474 unidades), e no acumulado do ano somaram 10.174 unidades, 10,3% a menos que nos dez meses de 2019 (11.337 veículos). 

Em CKD (veículos desmontados) foram exportados 3.269 caminhões no acumulado de janeiro a outubro, 12,2% a menos que em igual período de 2019, quando foram comercializados 3.723 caminhões no exterior, segundo a Anfavea. 

Ranking 

No ranking de vendas a Mercedes-Benz manteve a liderança, com 20.978 caminhões vendidos de janeiro a outubro no mercado brasileiro, 10,5% a menos que no mesmo período de 2019 (23.434 unidades), e o segundo lugar ficou com a Volkswagen Caminhões e Ônibus, que teve 20.665 veículos vendidos no país, 5,2% a menos que em janeiro em outubro de 2019 (21.810 unidades). 

A Volvo ficou em terceiro lugar com 11.779 veículos vendidos nos dez meses do ano, 10,4% a menos que no mesmo período de 2019 (13.148 unidades), e a Scania em quarto com 6.379 veículos, 42,8% a menos que em janeiro e outubro de 2019 (11.150 unidades). 

A Iveco, quinta colocada no mercado, teve aumento de 32,3% nas vendas de janeiro a outubro com 3.974 unidades, ante os 3.004 veículos vendidos nos dez meses de 2019, e a DAF, que ocupa o sexto lugar, uma elevação de 25,7%, com 3.194 unidades. 

Ao comentar sobre as dificuldades para a retomada da indústria automobilística, Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, alertou que a pandemia ainda não acabou e que a preocupação com a saúde dos empregados continua. “Apesar de a situação da saúde estar melhorando no Brasil, o número de contaminação ainda é muito forte e o desafio é manter a produção no ritmo que atenda o mercado, sem alterar e diminuir os cuidados necessários para atender o protocolo de saúde”, disse o presidente da Anfavea. 

Moraes afirmou que a Anfavea tem observado a recuperação do setor automotivo. “A gente sabia que o segundo trimestre iria ser muito crítico e o quarto melhor, mas é difícil fazer previsão com relativa segurança, de fazer o planejamento, de programar os fornecedores porque temos dúvida se essa recuperação veio para ficar ou estamos atendendo a uma demanda reprimida do segundo e do terceiro trimestre.”

A falta de aço e o aumento de custos é outro problema que pode prejudicar a reação do setor, segundo Moraes. “Isso também preocupa e a equipe de logística está acompanhando a cadeia de fornecedores para evitar paradas.”

Neste momento de retomada do mercado as montadoras estão fazendo horas extras e jornadas adicionais para tentar cobrir eventuais interrupções por falta de insumos. “Para abrir o terceiro turno é preciso ter certeza que a demanda é permanente”, disse Moraes.

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