Crise do coronavírus muda as projeções para o mercado

A estimativa da Volkswagen Caminhões e ônibus feita antes da crise era de o setor crescer 16% este ano, com a comercialização de mais de 116 mil veículos A pandemia do coronavírus que se alastrou por todo o território brasileiro mudou as expectativas das montadoras para o mercado de caminhão. A Volkswagen Caminhões e Ônibus, […]

A estimativa da Volkswagen Caminhões e ônibus feita antes da crise era de o setor crescer 16% este ano, com a comercialização de mais de 116 mil veículos

A pandemia do coronavírus que se alastrou por todo o território brasileiro mudou as expectativas das montadoras para o mercado de caminhão. A Volkswagen Caminhões e Ônibus, que projetava para 2020 um desempenho melhor diante da estabilidade econômica e da perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que estaria acima do previsto para o ano, prefere esperar mais um pouco para fazer nova avaliação sobre o comportamento do setor.

Em 20 de abril a fabricante anunciou a retomada da produção na fábrica de Resende (RJ) no dia 27 de abril. As atividades foram interrompidas no dia 25 de março passado.

Na estimava anterior, feita antes do dia 15 de março, Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-venda da Volkswagen Caminhões e Ônibus, sinalizava um resultado com números próximos da Anfavea. A sua previsão era que o setor cresceria 16% este ano, com mais de 116 mil veículos vendidos no mercado brasileiro.

Alouche recorda que o setor de caminhões chegou ao fundo do poço em 2016 ao registrar queda de 70% nas vendas e vinha apresentando recuperação desde 2018, alcançando um crescimento expressivo em 2019. “Mas estamos longe da estabilidade, com crescimento saudável do setor, porque a indústria ainda trabalha com 50% de ociosidade e temos grandes desafi os para enfrentar em 2020 diante da crise atual e chegar a um patamar ideal de rentabilidade.”

Alouche afirma que o extrapesado, que sustentou o crescimento do mercado de caminhão em 2019, começou o ano bastante aquecido e deveria continuar em nível elevado neste ano. “Isolado de todo o setor, a venda deste modelo de caminhão já havia chegado ao volume de 2011, que foi o melhor de todos os tempos”, disse Alouche antes da disseminação da crise do Covid-19 no país.

Além da boa movimentação do segmento de extrapesados, Alouche creditava a perspectiva positiva para o mercado de caminhões aos modelos voltados à infraestrutura, à distribuição rodoviária e aos serviços de logística, que estavam crescendo em índices menores, e em 2020 deveriam crescer mais em relação ao ano anterior.

A sua estimativa era de que neste ano, com os anúncios do governo federal de investimentos em infraestrutura, em privatizações, além da aprovação da reforma da previdência e das discussões sobre reforma tributária e administrativa, seria construído um cenário importante para os demais segmentos também reagir.

Alouche recorda que consumo estava voltando gradativamente, o que fez aumentar o nível de emprego e a necessidade de caminhões para a distribuição de insumos, de produtos da linha branca e outros itens. Em sua avaliação, o setor de distribuição urbana que vinha crescendo nos últimos anos, poderia avançar ainda mais em 2020.

Alouche havia associado a perspectiva de crescimento do mercado de caminhões leves à necessidade de renovação da frota de veículos pelo setor de distribuição, de construção civil e de logística em geral, que deixaram de adquirir novos veículos durante a crise dos últimos quatro anos. Com o reaquecimento gradativo da economia, as empresas estavam começando a adquirir os modelos leves. Alouche cita o exemplo de empresas da área de logística, que estavam comprando o Delivery Express, dando um sinal claro que estaria havendo investimento em distribuição urbana.

Ao comentar sobre o bom momento que passava o setor de caminhões até o dia 15 de março, Alouche disse que tradicionalmente a Volkswagen se desenvolveu e cresceu observando sempre os nichos de mercado e cada segmento de forma específica. “O Delivery é hoje o grande foco, mas a empresa esta atenta a oportunidades que há também em outros mercados.”

Ele cita o exemplo da linha Constellation, que teve o lançamento de dois novos modelos para nichos de mercado, o Robust de 14 toneladas e de 17 toneladas. São novos caminhões que entraram no mercado para atender o leiteiro, a granja, o atacadista e o fazendeiro.

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